Bem-estar e Qualidade de Vida

Ansiedade, aliada ou vilã?

O coração começa a palpitar, parece que vai sair pela boca, na testa, o suor escorre solto, o corpo fica paralisado, sem conseguir sair do lugar, e o ar some. Você já se pegou em situações de tensão em que seu corpo reagiu desta forma? Ok, então você sabe o que é ter ansiedade.

A ansiedade é um sentimento correlacionado ao sistema nervoso central e um sinal de alerta que nos permite ficar atentos a um perigo iminente e a ter reações necessárias frente a ameaças. Portanto é um sentimento importante. Sem ela estaríamos vulneráveis aos perigos e ao desconhecido. É algo que acompanha o desenvolvimento normal do homem.

De acordo com a dra. Ana Luiza Camargo, psiquiatra do Einstein, a ansiedade é importante para a adaptação do indivíduo frente aos problemas do dia a dia. "Um certo nível de ansiedade é normal na vida, principalmente frente a escolhas importantes ou ao desconhecido, pois faz com que a pessoa melhore sua produção, já que este tipo de sentimento libera uma dose de adrenalina no organismo."

"As experiências pelas quais passamos desencadeiam respostas nas quais uma grande variedade de emoções está presente. Nossos sentimentos e reações compõem o nosso ‘modo de ser’, que se expressa, de maneira única, em todos os nossos relacionamentos interpessoais, e é resultado de nossas características genéticas, idade, história de vida e cultura em que estamos inseridos", explica a médica.

Tipos de ansiedade e sintomas

Mas quando será que a ansiedade se torna preocupante? Quando este transtorno pode ser considerado patológico? "Sempre quando a intensidade e a duração da ansiedade tiverem impacto disfuncional sobre a vida e o comportamento do indivíduo. A ansiedade como transtorno ou sintoma pode estar presente em vários quadros, afirma a dra. Ana Luiza.

  • Transtornos de pânico, com ou sem agorafobia: se caracteriza por breve período de medo e/ou intenso desconforto, no qual sensações de morte, ou de estar fora da realidade, está presente, ocorrendo ocasionalmente e com o indivíduo evitando situações associadas a estes sintomas. A agorafobia consiste no medo de estar desacompanhado em lugares públicos, particularmente em lugares em que há dificuldade de saída.
  • Fobias: é um medo intenso e desproporcional a um objeto específico, uma circunstância ou uma situação.
  • Distúrbio de ansiedade devido a uma condição médica geral: problemas físicos podem causar quadros de ansiedade e nervosismo. Muitas condições médicas, como desequilíbrio hormonal, problemas respiratórios e problemas cardíacos podem manifestar-se por meio de sintomas de ansiedade.
  • Transtorno de ansiedade generalizada: caracterizado por ansiedade e preocupação excessiva com várias situações, atividades e eventos na maior parte dos dias, durante pelo menos seis meses consecutivos, sem relação com outro transtorno psiquiátrico ou evento estressante. Pode causar sintomas físicos como dor de cabeça, dor nas costas, alteração intestinal ou no estômago. Esse distúrbio também pode ocorrer em crianças.
  • Ansiedade induzida por substâncias: é resultado do uso tanto de substâncias ilícitas (como cocaína, crack, ecstasy, maconha), como de medicações. Os sintomas podem durar até um mês após o uso pelo indivíduo.
  • Transtorno de estresse pós-traumático: uma síndrome que se desenvolve a partir de uma experiência de participar, ver, ouvir ou estar submetido a importante estressor que qualquer indivíduo julgaria traumático, como assalto, sequestro, doença aguda traumática, acidente, agressão etc. O indivíduo com este tipo de transtorno passa a reagir a esta experiência com medo e insegurança, revivendo persistentemente o evento e afastando a intenção de falar ou de ser lembrado do que aconteceu.

De acordo com a dra. Ana Luiza, os sintomas de ansiedade podem ser físicos, como dores nas costas, no peito, palpitações, dores de cabeça e nas costas, alterações intestinais ou no estômago. Pessoas com distúrbio do pânico podem sofrer com um mal-estar terrível, falta de ar, taquicardia, tremores ou mesmo ter a nítida impressão de que estão morrendo com um grave problema no coração.

"O coração é um dos órgãos que mais sofre o impacto das emoções, sendo bastante sensível às suas manifestações. Sempre que experimentamos emoções intensas, acompanhadas de muita ansiedade, o coração bate mais forte, acelera. Devido à sobrecarga que impõem ao organismo, quando muito frequentes, tais reações podem estar associadas ao risco aumentado para algumas doenças cardiovasculares", pontua a médica.

Diagnóstico e tipos de tratamento

Para ser detectado um distúrbio de ansiedade, alguns exames laboratoriais devem ser realizados para descartar problemas médicos, como o desequilíbrio hormonal e problemas cardíacos. Contudo, não existem exames específicos para diagnosticar diretamente os distúrbios de ansiedade.

"É importante entender de maneira integrada nosso funcionamento físico e psíquico, porque a identificação do sofrimento em cada um deles permite o tratamento adequado e o equilíbrio necessário para uma boa qualidade de vida", explica a dra. Ana Luiza.

"Alguns distúrbios de ansiedade podem durar pequenos períodos de tempo, enquanto outros poderão ocorrer durante toda a vida, exigindo assim um tratamento prolongado", esclarece a médica.

"O mais importante é não tentar resolver os sintomas do distúrbio de ansiedade sem o acompanhamento de um médico. Assim que perceber quaisquer sintomas que possam indicar ansiedade, procure ajuda profissional", finaliza a psiquiatra.

Publicada em dezembro/2011


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