Bem-estar e Qualidade de Vida

Quer parar de fumar?

Parar de fumar é uma decisão individual, e muitas vezes o fumante não sabe por onde começar. Gomas de mascar, sprays e até adesivos são métodos que prometem ajudar a abandonar o vício do cigarro. E são fáceis de localizar nas prateleiras das farmácias. Um estudo publicado em janeiro de 2012 pela “Center For Global Tobacco – Harvard School of Public Health” levantou algumas questões a respeito da eficácia dos tratamentos a base de reposição de nicotina. O estudo apontou que o uso de TRN (Terapia de Reposição de Nicotina) não reduz as taxas de recaída que podem ocorrer durante o tratamento. Mas vamos entender melhor como esses métodos funcionam no organismo de quem fuma.

A nicotina é a substância responsável pela dependência que o cigarro causa. Ao parar de fumar, a falta de nicotina no cérebro do fumante desencadeia uma série de sintomas de abstinência, o que frequentemente pode levar a uma recaída. As gomas de mascar, os sprays e os adesivos são modos diferentes de administração de nicotina para o tratamento do tabagismo. O objetivo de usá-los é realizar uma reposição de nicotina no organismo, controlando, assim, os sintomas de abstinência, porém com redução gradual do seu uso, até a suspensão total da nicotina.

Existem estudos clínicos controlados que demonstram que esta forma de tratamento aumenta a chance de sucesso dos pacientes que desejam cessar o tabagismo. E, mesmo com este estudo indicando que as terapias de reposição de nicotina (TRN) não reduzem as taxas de recaída, e havendo outras evidências científicas que apontam o contrário, é preciso ter cautela ao generalizar tais resultados para a prática clínica. Vale ressaltar que a "Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia" indica cautela na interpretação do estudo mencionado, sustentando, até o momento, a indicação de TRN no tratamento do tabagismo.

Um dos dados do estudo é que com frequência o tratamento é realizado por um tempo inferior ao recomendado. Os médicos alertam: a indicação de TRN ou de outro tratamento medicamentoso deve ser realizada de forma criteriosa. “Isto significa que o paciente deve ser sempre avaliado e acompanhado por um profissional capacitado a ajudá-lo neste processo”, diz a Dra. Alessandra Maria Julião, psiquiatra do Núcleo de Medicina Psicossomática e Psiquiatria do Einstein- NMPP, que engloba o Núcleo de Atenção ao Tabagismo Einstein- NATE. “Existem outras formas de tratamento medicamentoso do tabagismo, e é a avaliação médica que determinará qual o melhor método para cada paciente”, completa a especialista.

Tratamento

O tratamento com reposição de nicotina deve ser realizado com cuidado. Um ponto importante é a dose a ser indicada para cada paciente. Se a dose usada for em excesso, poderá causar sintomas de intoxicação por nicotina, se for uma dose baixa, não será o suficiente para controlar os sintomas de abstinência. Neste último caso, o paciente continuará apresentando forte desejo de fumar, entre outros sintomas, e poderá recair mais facilmente.

A terapia de reposição pode ser combinada a outras estratégias de tratamento, tanto farmacológicas como também não-farmacológicas, como o aconselhamento e o apoio psicológico durante o processo de cessação do tabagismo. A orientação dietética e a prática de atividades físicas também são medidas que ajudam a melhorar a qualidade de vida e auxiliam no controle do peso, já que nesta fase há um aumento da probabilidade de ganho de peso.

Os tratamentos medicamentosos indicados são, além da terapia de reposição, o uso de bupropiona, um antidepressivo aprovado no tratamento do tabagismo que reduz o desejo de fumar, e a vareniclina, medicação que atua bloqueando os receptores de nicotina, e consequentemente, promovendo o controle da síndrome de abstinência e a redução do desejo de fumar.

“O Núcleo de Atenção em Tabagismo do Einstein realiza um trabalho que tem sido recompensador, com vários casos de sucesso”, conta a Dra. Alessandra. O Núcleo realiza acompanhamento médico e psicológico para o tratamento da dependência do cigarro, tanto para pacientes internados, como para pacientes ambulatoriais. Também há uma ampla gama de ações na instituição, como a implantação do ambiente livre de tabaco, o treinamento de toda a equipe de enfermagem para realizar a identificação e o aconselhamento aos pacientes fumantes, com atuação específica da psicologia do NATE na motivação para cessação de tabagismo em populações de alto risco, como, por exemplo, os pacientes internados por Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), entre outros.

Publicado em fevereiro/2012


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