Bem-estar e Qualidade de Vida

Xixi na cama: só 10% têm causa emocional

Diagnóstico e tratamento são importantes para combater problemas com baixa autoestima

Xixi na cama: só 10% têm causa emocional

O famoso xixi na cama não está diretamente relacionado ao lado emocional da criança como a maioria das pessoas acredita. Noventa por cento dos casos são orgânicos e a maior parte deles tem razão hereditária.

Dois terços dos pais que já sofreram com o problema podem ter filhos com os sintomas da enurese noturna - que é a continuação involuntária do hábito da criança urinar na cama após a idade em que já deveria controlar o xixi.

O controle da urina durante o dia aparece mais precocemente. Geralmente, com cerca de dois anos de idade, a criança começa a notar a sensação de bexiga cheia e a chamar a atenção quando quer fazer xixi. A partir daí, as mães tendem a retirar a fralda diurna, mantendo a noturna por mais tempo.

Se, ao ultrapassar os cinco anos, a criança ainda não demonstrou controle da urina durante a noite, o ideal é procurar um pediatra. Na maioria das vezes, trata-se de um caso de enurese noturna primária.

As causas

Grande parte dos casos de enurese noturna primária é genética. Geralmente se encontram vários casos anteriores ao da criança na família, como tios, avós, pais ou primos que tiveram o mesmo problema.

Algumas crianças sofrem com a falta de uma substância chamada vasopressina, que é fabricada pela hipófise para diminuir a produção de urina durante a noite. Com esse déficit, muitas produzem, à noite, a mesma quantidade de urina que produzem durante o dia.

Outra causa possível é uma imaturidade do sistema nervoso, que impede que o cérebro da criança receba o aviso enviado pela bexiga cheia durante a noite. Sem ser avisada, a criança deixa de acordar para ir ao banheiro e acaba encharcando os lençóis.

Os casos emocionais - apenas 10% – são chamados de enurese secundária porque, geralmente, acontecem depois de a criança já ter aprendido a controlar o xixi, normalmente por um trauma emocional.

Diagnóstico precoce

O diagnóstico e o tratamento para o combate do xixi na cama devem ser iniciados o mais rapidamente possível - próximo dos cinco anos de idade – assim que a doença for diagnosticada.

Quanto antes o problema for tratado, menos chances a criança terá de sofrer com baixa autoestima, que acaba interferindo no seu comportamento emocional, ou seja, podendo torná-la tímida, retraída e sem confiança nas suas próprias capacidades.

Tratamentos

Existem medicamentos para repor a vasopressina em tratamentos que duram cerca de um ano. O remédio só deve deixar de ser tomado quando a criança estiver com a cama "seca" há mais de seis meses.

Dependendo do caso, há medicamentos que relaxam a musculatura da bexiga e diminuem as contrações responsáveis por eliminar o xixi. Com menos contrações, diminui-se a probabilidade de liberar urina à noite. Alguns antidepressivos também têm uma ação específica sobre a musculatura da bexiga e também podem minimizar o problema.

Apesar de o diagnóstico ser simples – geralmente obtido em uma conversa entre os pais e o médico – cada caso deve ser tratado de maneira específica.

Xixi na cama nunca mais!

Algumas dicas para diminuir as chances de a criança molhar os lençóis todas as noites:

  • Procure fontes confiáveis e não perca tempo com tratamentos alternativos sem qualquer comprovação científica.
  • Não compense a má alimentação da criança durante o dia com mamadeira ou copo de leite à noite, que aumenta o volume de líquido filtrado pelo rim.
  • Se necessário, diminua a ingestão de sucos e sopas à noite.
  • A suposta sede da criança antes de dormir pode ser evitada se ela se acostumar a tomar mais líquido durante o dia, de forma distribuída.
  • Esvazie a bexiga da criança antes do sono.
  • Retire a fralda para desacostumar a criança do "conforto" de urinar na cama.
  • Evite levar a criança, durante o sono, para o banheiro. Além de interferir na tranquilidade do sono, dormindo a criança não vai aprender a desenvolver o reflexo de que deve acordar antes de fazer xixi na cama.

Curiosidades

O problema é mais comum entre as crianças hiperativas. Um terço dos pacientes com enurese noturna apresenta a associação dos dois quadros: xixi na cama e hiperatividade.

Você sabia que 20% das crianças e adolescentes com enurese também apresentam enxaqueca?

Treinamento de "retenção urinária"

Treinar a retenção urinária da criança pode ser uma boa maneira de acostumá-la ao controle do xixi.

O exercício pode ser feito da seguinte maneira:

Dar líquido (água ou suco) para a criança beber às 9 horas ou às 15 horas. Após 15 ou 20 minutos, ela terá vontade de urinar. Peça que ela segure a vontade por um ou dois minutos ou o quanto aguentar. Dessa forma, ela estará sendo hidratada no período certo (que não é antes de dormir) e fazendo exercícios para estimular a sensação de bexiga cheia, que nos leva naturalmente ao banheiro durante a noite.



Fonte: Dr. Abram Topczewski – Neurologista da Infância e Adolescência do Einstein e co-autor do livro "Xixi na cama nunca mais!".

Publicado em outubro/2010


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Deixe um comentário

23/04/2012 20:52:20

Geovana

Olá, Tenho três filhos 19,16,10 anos respectivamente, sofri de enurese até + ou - 7 anos. o mais velho tem enurese já fiz 2 tratamentos mas não obtivemos, sucesso o segundo deixou as fraldas normalmente e a terceira tem enurese. Procuro me informar para ajudar meus filhos mas preciso uma ajuda mais especializada.POR FAVOR ME AJUDE

Resposta:

Olá Geovana, obrigado por seu contato. Não temos como dar uma resposta tão precisa em relação a um tratamento de saúde por este canal. O Espaço Saúde visa apenas trazer informações em relação a determinado assunto e nunca poderá substituir uma consulta médica. Aconselhamos você a procurar um médico especialista. Só ele poderá fazer uma avaliação correta em seus filhos e indicar um tratamento adequado. Caso queira, você poderá pedir uma indicação médica pela nossa Central de Atendimento, no telefone 11 2151-1233, ou acessando o Indicador Médico em nosso site http://www.einstein.br/hospital/Paginas/indicador-medico.aspx. Boa sorte.

     
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