Praticada há milênios, a dança é uma atividade que tem as mais diversas aplicações: de rituais sagrados ao entretenimento das cortes européias. Hoje, é considerada atividade física de baixo impacto que leva milhares de interessados às escolas de dança e academias. “Dançar proporciona momentos de autoconhecimento e deixa a pessoa mais sociável”, explica Luciana Beites, fisioterapeuta da Reabilitação do Einstein.
Segundo Luciana, a dança pode ser utilizada como atividade física para quem não gosta de frequentar academias ou praticar esportes. “Além de ser boa para a saúde, garante concentração, proporcionando ao praticante maior integração com o próprio corpo.”
Primeiros passos
Antes de começar, é preciso procurar um local adequado para a prática, seja academia de ginástica ou escola de dança. Verificar a formação e a experiência dos instrutores também é aconselhável, pois a dança trabalha com toda a estrutura do corpo. Para quem tem lesões no joelho é recomendável procurar aconselhamento médico porque o problema na articulação e a existência de dor podem restringir a prática. É recomendada para todas as idades e níveis de condicionamento físico. Mesmo quem nunca praticou qualquer atividade pode – e deve – se arriscar no ‘dois pra lá, dois pra cá'.
Para os mais tímidos, vale deixar a vergonha de lado. “As pessoas costumam chegar fechadas e com o tempo se soltam e descobrem o prazer que a dança proporciona”, comenta Luciana. Aliás, a socialização é outro grande benefício dessa atividade, que libera substâncias responsáveis pela sensação de bem-estar.
A prática inunda o corpo de endorfina, o neutransmissor que gera prazer. “Dançar proporciona mais dinamismo, as pessoas passam a ter respostas rápidas a todos os estímulos e ainda ganham no bom humor”, comenta a fisioterapeuta.
As pessoas costumam chegar fechadas e com o tempo se soltam e descobrem o prazer que a dança proporciona
Dois pra lá, dois pra cá
Os principais grupos musculares exigidos na dança são os das pernas. Os músculos do quadril também são utilizados para alguns movimentos. Mais uma vantagem é a melhora do equilíbrio: a dança trabalha com as estruturas de propriocepção – capacidade de se equilibrar e de se perceber. “Quanto maior o envolvimento com o ritmo e com as coreografias, melhor são a postura, o condicionamento muscular, o alongamento e a coordenação motora”, explica Luciana.
No caso de danças mais ritmadas – como a salsa, o merengue, o forró e a lambada –, os praticantes ganham condicionamento cardiovascular. Para danças como o bolero e o tango, em que os movimentos são mais lentos, os ganhos são posturais. “A dança, em geral, não tem gasto calórico muito elevado, mas por outro lado o movimento continuado facilita o controle do diabetes e da hipertensão, além de melhorar o sistema cardiorespiratório”, define a fisioterapeuta.
Função de terapia
Outra maneira de utilizar os benefícios da dança é com a função terapêutica. Criada pela bailarina e coreógrafa argentina María Fux na década de 1950, a dançaterapia estimula os movimentos do corpo e as potencialidades escondidas, o que ajuda a despertar áreas adormecidas.
A dança pode ser utilizada como terapia para o tratamento de diversos problemas: paralisia cerebral, deficiência mental, esclerose múltipla, AVC e Síndrome de Down, por exemplo
A fisioterapeuta Luciana Beites utiliza a dança como terapia para o tratamento de diversos problemas: paralisia cerebral, deficiência mental, esclerose múltipla, AVC e Síndrome de Down. “Podemos estabelecer uma coreografia respeitando as necessidades de cada um e, com ela, dar noções de tempo e espaço. Dessa forma, fazemos com que as pessoas explorem mais o ambiente, principalmente nos casos em que as cadeiras de rodas são necessárias”, explica. Segundo ela, utilizar a dança como auxiliar em tratamentos é um ótimo caminho.
No caso de pacientes com lesões cerebrais, as sequelas em geral são permanentes, o que torna os programas de reabilitação prolongados, cansativos, repetitivos e desmotivadores. “A dança pode ser utilizada como recurso terapêutico associado à terapia convencional para deixar os pacientes mais motivados”, explica a fisioterapeuta.
A dança oferece movimentos rítmicos, coordenação, harmonia e o controle motor, melhora a postura e o equilíbrio, auxiliando na criação de habilidades básicas de movimento.
Março/2009
Atualizada em julho/2010