Em Dia com a Saúde

Adolescentes abusam do uso da pílula do dia seguinte

Iniciando cada vez mais cedo a vida sexual e sem nenhum planejamento, adolescentes entre 13 e 16 anos têm recorrido cada vez mais à chamada “pílula do dia seguinte” como método contraceptivo.

Muitas delas preferem este método ao uso da camisinha, sem considerar a existência de doenças sexualmente transmissíveis, que só podem ser evitadas com o preservativo.

Diferente do que as meninas acreditam, este método contraceptivo tem ação apenas preventiva, e não abortiva. É indicado somente para casos de emergência, para quando houve uma relação sexual sem prevenção, e mais especificamente em casos de violência sexual ou estupro. “A pílula do dia seguinte nunca deve ser usada como um método contraceptivo regular. Seu uso deve ser apenas emergencial”, explica o ginecologista do Einstein, Dr. Eduardo Cordioli.

Como funciona

A pílula é um medicamento com grande quantidade de progesterona (hormônio feminino) e é usada para antecipar a menstruação ou impedir o óvulo de ser fecundado. A alta carga de hormônio no organismo (até 20 vezes mais que um contraceptivo comum) provoca os seguintes efeitos:

  • se a mulher ainda não ovulou, a pílula retarda a liberação de um novo óvulo.
  • se a ovulação já ocorreu, o contraceptivo acelera a descamação do endométrio (a camada que recobre o útero para receber o óvulo fecundado e cuja descamação é a causa da menstruação).

Além disso, a medicação também “engrossa” o muco vaginal, dificultando a passagem dos espermatozóides.

Como usar

A pílula deve ser tomada logo após a relação sexual. Se ingerida em até 24 horas depois do sexo, as chances de não engravidar são de 85%; em até 48 horas, diminuem para 70%.

Existem no mercado dois tipos de pílulas do dia seguinte: a pilula padrão, com dois comprimidos que devem ser tomados num intervalo de 12 horas, e uma que possui altíssima dosagem hormonal e que é tomada em dose única.

Cuidados e efeitos colaterais

No geral, os efeitos colaterais são muito mais severos do que os da pílula comum. Os mais recorrentes são:

  • desequilíbrio hormonal
  • alterações no ciclo menstrual e no tempo de ovulação, com mudança significativa no período fértil e no dia da menstruação
  • dor de cabeça
  • sensibilidade nos seios
  • náuseas e vômitos
  • AVC (Acidente Vascular Cerebral)

Em caso de vômito ou diarréia nas duas primeiras horas após ter tomado o medicamento, a dose deve ser repetida. Quem tem organismo sensível ao princípio ativo da pílula, mas está sob orientação médica, deve pedir a indicação de algum remédio para enjôos.

Como agir

Meninas devem evitar este tipo de anticoncepcional e consultar um médico ginecologista para que, juntos, decidam qual o método mais adequado de contracepção:

  • pílulas diárias
  • injeções
  • adesivos  
  • anéis vaginais

Não importa qual seja o tipo escolhido, a camisinha nunca deve ser esquecida.

“Ao ter uma relação sexual desprotegida, a menina deve procurar imediatamente um médico. Se a pílula do dia seguinte for tomada sem prescrição, é essencial procurar o ginecologista o mais rápido possível após o uso. Primeiro, porque ele vai poder tranquilizar e responder todas as dúvidas. Segundo, porque irá monitorar as alterações que a medicação vai trazer ao organismo”, explica o Dr. Cordioli.

Contraindicações

A única contraindicação absoluta ao uso da “pílula de emergência” é a gravidez confirmada.

Porém, cada caso deve ser analisado individualmente. E alguns pedem uma preocupação maior, como mulheres com antecedentes de Acidente Vascular Cerebral (AVC) – popularmente conhecido como derrame, tromboembolismo, enxaquecas severas, diabetes com complicações vasculares, problemas com coagulação ou gastrite, e em pacientes fumantes com mais de 35 anos em razão do aumento do risco de trombose.

Publicada em outubro/2010


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