Em Dia com a Saúde

Afogamento: alto risco no verão

Sol, praia e mar. Nada melhor do que um cenário como esse para descontrair e descansar no verão. Com tantos turistas no litoral brasileiro, as praias ficam superlotadas e, com isso, o número de acidentes tende a aumentar. Uma das principais ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros nesse período é o afogamento.Cerca de 500 mil pessoas morrem, por ano, devido a esse acidente.

Afogamento:E o alarmante número não se refere apenas às praias, mas também às piscinas e aos rios. Para completar o quadro, 10 milhões de crianças e adolescentes, entre zero e 14 anos, são hospitalizados a cada ano devido a afogamentos.

10 milhões de crianças e adolescentes, entre zero e 14 anos, são hospitalizados a cada ano devido a afogamentos

Quando alguns cuidados não são tomados, o que era para ser diversão vira problema ou até tragédia. Por isso, fique atento. Prepare-se para o verão e não abuse. A falta de conhecimento em natação e a grande ingestão de álcool são consideradas os motivos mais freqüentes para os casos de afogamento. Mas não são os únicos: convulsões e traumas (estes devido a pancadas em pranchas, barcos, pedras ou até mesmo no fundo de rios e do mar) também ocorrem com freqüência.

“Quando uma pessoa se afoga, a primeira reação do organismo é fechar a glote para não deixar que a água entre nos pulmões. Porém, se a pessoa continuar submersa, a glote se abre e deixa a água entrar invadindo os pulmões, ou seja, as vias aéreas, impedindo a passagem do ar”, alerta o dr. Sulim Abramovici, gerente médico Materno-Infantil e um dos autores do livro Guia de Primeiros Socorros, escrito por especialistas do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Com isso, a vítima costuma ficar com a pele arroxeada – sinal de falta de oxigênio – e pode ter parada respiratória. Diante desse cenário, é importante saber quais os primeiros socorros quando há um banhista afogado.

Agir com consciência

Existem duas situações de afogamento: quando alguém está se afogando ou quando o afogado é você mesmo. Nos dois casos, é necessário manter a calma, pois o nervosismo piora a situação. Caso esteja se afogando, relaxe, tente boiar para não se afundar e gritar por socorro. Quando se é espectador: cuidado, pois não é tão simples ajudar.

Caso esteja se afogando, relaxe, tente boiar para não se afundar e gritar por socorro

Conheça o passo-a-passo desse resgate.

Retirada do mar

Não é preciso se expor para ajudar quem está se afogando ou tentar retirar o banhista caso não se tenha treinamento apropriado. Ao avistar a vítima, ligue para a equipe de resgate (193) e passe a informação da situação e do local da ocorrência. Logo em seguida, procure algum objeto flutuante, como prancha ou bóia, e jogue para o banhista. Muito cuidado ao se aproximar, pois por causa do desespero o resgatado pode tentar se segurar, e o quadro vai se agravar com duas pessoas em risco no mar. Caso o banhista esteja desacordado, use colete salva-vidas ou um objeto flutuante para permanecer seguro, puxe a vítima de costas, segurando pelo queixo e mantendo o corpo na horizontal e a cabeça sempre fora da água.

Em terra firme

Quando a vítima já estiver na areia – e na ausência de equipe especializada –, é preciso colocá-la de lado e analisar seu quadro de saúde. Se ela estiver respirando, aguarde a equipe de resgate e a mantenha aquecida. Mas, se estiver desacordada, deve-se abrir as vias respiratórias, empurrando o queixo para cima para deixar a boca aberta.

São e salvo

Assim que a pessoa voltar ao normal, ela deverá permanecer deitada de lado até que se sinta totalmente recuperada, aguardando o socorro especializado. A vítima deve ir ao hospital e jamais para casa, pois traumas e outras seqüelas podem aparecer depois de horas do ocorrido.

Além-mar

Apesar de ser a maior ocorrência, o afogamento não é o único acidente que ocorre nas praias. Fique atento a outros perigos. A prevenção e a atenção são as melhores atitudes.

Queimadura de sol e insolação

Procure um lugar bem ventilado e fresco para a pessoa descansar. Depois, dê um banho frio para aliviar o mal-estar e as queimaduras no corpo. Aplique também compressas frias e úmidas na pele, que deve ser mantida bem hidratada.

Desidratação

Para evitá-la, o ideal é beber água e sucos. No verão, uma boa pedida é a água de coco. Cuidado com a cervejinha gelada. Acredite, essa bebida não hidrata. Por ser diurética, pode levar à desidratação.

Pisar em ouriços

Leve a vítima imediatamente a um serviço de saúde. É importante que ninguém tente remover os espinhos, pois é um procedimento difícil e pode agravar a situação, causando infecções e até necrose da pele.

Queimadura por água-viva

Aplique compressas de água gelada ou vinagre – se disponível – e leve a vítima a um serviço de saúde no caso de queimaduras extensas. Não passe pomada ou nenhuma outra substância.

Criança perdida

O ideal é que o pequeno vá sempre acompanhado de mais de um adulto que possa revezar nos cuidados. Para que a criança não se perca, dê a ela um ponto de referência, como um prédio alto ou algum objeto fixo à beira do mar. O melhor é, assim que chegar à praia, procurar um salva-vidas e pedir uma pulseira de identificação na qual se possa anotar o nome e o telefone do responsável.

De bem com o verão

  • Antes de entrar no mar, procure um ponto com ondas que formem espuma. Diferentemente do que se imagina, mesmo no mar mais tranqüilo pode haver correnteza, dificultando para nadar.
  • A cada 2 horas, reaplique o protetor solar em todo o corpo.
  • Use roupas leves e claras, pois essas peças facilitam a transpiração.
  • Use chapéu para proteger a cabeça, o rosto e o pescoço.
  • Fique a maior parte do tempo sob o guarda-sol e não se iluda: mesmo na sombra você está exposto aos raios solares.
  • Beba muito líquido, de preferência água ou suco.
  • Consuma alimentos leves, como frutas e legumes. Tire de vez do cardápio a fritura e as comidas com muito tempero.

Janeiro / 2009


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