Em Dia com a Saúde

Cirurgia reduz sintomas de Parkinson

11 de abril – Dia Mundial de Combate a Doença de Parkinson

A qualidade de vida e a longevidade do indivíduo com a doença de Parkinson dependerão de um tratamento adequado e de acompanhamento multiprofissional contínuo.

Apesar do desenvolvimento de novas medicações, a levodopa, criada na década de 60, ainda é a principal medicação utilizada para alívio dos sintomas. Por outro lado, uma cirurgia chamada estimulação cerebral profunda pode ser uma excelente opção para tratar pacientes, tanto os jovens, com sintomas exclusivamente unilaterais ou pacientes em fase intermediária da doença.

Entenda mais sobre a doença de Parkinson e qual a melhor opção para cada paciente.

Estatísticas

Ainda não existem estatísticas exatas sobre o número de pessoas com doença de Parkinson no Brasil, porém estima-se que aproximadamente 200 mil brasileiros sejam acometidos deste mal. Sabe-se que é a segunda doença neurodegenerativa mais prevalente, após a de Alzheimer. Em geral, seu início se dá a partir dos 50 ou 60 anos de vida, a partir dos sintomas motores.

Principais sintomas

  • Bradicinesia: lentidão de movimentos
  • Tremor: geralmente maior, quando o paciente está em repouso
  • Rigidez dos músculos
  • Instabilidade postural (com tendência a quedas)

O que acontece

"A doença ocorre por um processo neurodegenerativo, em que o principal achado é a deficiência de um neurotransmissor chamado dopamina, que atua na integridade de um circuito de neurônios responsáveis pelos movimentos", explica o neurologista do Einstein, Dr. Orlando Barsottini.

Medicações

No geral, as medicações para a doença de Parkinson dividem-se entre as que repõem a dopamina sinteticamente e as que inibem as enzimas que degradam a dopamina. "O trabalho das medicações é reequilibrar os níveis de dopamina no organismo", afirma o médico.

Há alguns anos, as medicações provocavam incômoda intolerância gástrica na maioria dos pacientes. Hoje, existem comprimidos em doses únicas diárias, medicações de liberação lenta e até medicamentos disponíveis no formato de patch – adesivos transdérmicos e que liberam o medicamento diretamente na pele –, poupando os pacientes da maioria dos efeitos colaterais.

Estimulação cerebral

Reservada para casos específicos, a chamada estimulação cerebral profunda pode ser uma das opções de tratamento para pacientes na fase moderada da doença.

Por meio do implante de marca-passo e de eletrodos em regiões profundas do cérebro, a cirurgia geralmente é realizada para diminuir complicações motoras decorrentes tanto da evolução da doença quanto do uso crônico de medicamentos.

Dentre as complicações, as mais incômodas são as chamadas discinesias – movimentos involuntários do corpo –, em geral associados ao uso das medicações. "Não é uma cirurgia curativa, serve apenas para diminuir esses sintomas. Ela deve ser encarada como mais uma opção de tratamento", explica o médico.

O procedimento é indicado também para pacientes mais jovens com tremores incapacitantes ou para aqueles que não responderam adequadamente ao tratamento medicamentoso. Mas, em geral, não se indica a cirurgia para pacientes com menos de cinco anos de doença.

"Pacientes na fase avançada, com comprometimento cognitivo severo não devem fazer a estimulação cerebral pelo risco de piora dos sintomas cognitivos que já possuíam", afirma.

Outros tratamentos

Embora existam pesquisas na área de células-tronco para tratamento de Parkinson, os resultados ainda não permitem a recomendação formal desta terapia para os pacientes portadores desta doença.

Sintomas que devem levar o indivíduo ao médico

Os primeiros sintomas que devem levar o indivíduo a procurar um diagnóstico são:

  • Tremor de causa inexplicada, contínuo e normalmente em apenas um lado do corpo.
  • Lentidão dos movimentos ou do caminhar.
  • Modificação na escrita: as letras vão ficando gradativamente menores.

Diagnóstico

Atualmente, existem exames de imagem que auxiliam o médico na hora da descoberta da doença. Mesmo assim, o diagnóstico principal ainda é clínico, ou seja, descoberto pelo médico no consultório pela presença dos sintomas. Não há necessidade de exames complementares para se fazer o diagnóstico de certeza da doença.

O que fazer após o diagnóstico?

"Minha dica é o acompanhamento médico continuo. Embora a doença seja degenerativa e progressiva, o monitoramento do ponto de vista medicamentoso e terapêutico ajuda a encontrar as melhores soluções para cada paciente", sugere o médico do Einstein.

As fases da doença

A doença de Parkinson é dividida em três fases principais:

  • Leve: o paciente apresenta sintomas leves e continua independente para suas atividades habituais
  • Moderada: ele mantém sua independência, mas passa a necessitar de ajuda ou apresenta limitações para atividades específicas
  • Avançada: o paciente começa a ter severas limitações para realizar atividades do seu dia a dia.

Esta última fase acontece geralmente após 10 a 15 anos de evolução da doença. É quando podem aparecer sintomas cognitivos e psiquiátricos relacionadas à doença de Parkinson.

A genética e o Einstein

Existem casos de pessoas muito jovens com Parkinson, além de casos familiares da doença, o que levou cientistas a pesquisarem causas genéticas para a doença.

O Einstein, por meio do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa (IIEP), possui um grupo de pesquisadores para identificar causas genéticas da doença. O protocolo de pesquisa existe há cerca de cinco anos e já passaram por ele mais de 300 participantes (entre pacientes, familiares e voluntários). Dentre os que possuem a doença, percebe-se que entre 5% e 10% têm causa genética. As outras causas da doença de Parkinson continuam sendo estudadas.

Dicas para dentro de casa

  • Lugares muito frequentados da casa, como o banheiro, devem ter fácil acesso e equipamentos de segurança dependendo da fase da doença.
  • Retire tapetes e objetos espalhados pelo caminho, para evitar tropeços e quedas.
  • O paciente deve usar sapatos bem firmes, evitando sandálias e chinelos, que facilitam quedas.
  • Alimentos de fácil deglutição evitam risco de engasgo.

A evolução da doença

A evolução da doença, geralmente, depende do tipo de sintomas predominantes que o paciente apresenta.

Aqueles que possuem já nas formas iniciais mais rigidez e lentidão dos movimentos, associado à instabilidade postural precoce, tendem a ter uma evolução um pouco pior do que aqueles que apresentam tremores como sintoma predominante.

Em fases avançadas da doença, além do declínio cognitivo, podem aparecer o que chamamos de sintomas não-motores da doença, incluindo alterações psiquiátricas, psicose e alterações autonômicas severas (hipotensão, incontinência urinária e constipação intestinal).

Expectativa de vida

É importante saber que não se morre pela doença de Parkinson e que, quando bem conduzida, ela não reduz consideravelmente a expectativa de vida do indivíduo.

"O que vai determinar realmente a qualidade e a expectativa de vida dos indivíduos com Parkinson são os sintomas, que podem ser controlados com tratamentos específicos para cada paciente e por um acompanhamento multiprofissional", afirma o neurologista.

"Fisioterapia, fonoterapia e terapia ocupacional podem complementar o tratamento formal", diz.



Publicada em abril/2011


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