A cirurgia bariátrica - de redução do estômago - tornou-se, para indivíduos com obesidade grave, uma das únicas soluções para emagrecer. Para realizar este tipo de procedimento, os pacientes passam por avaliações médica, nutricional e psicológica e o seu grande medo é o de voltar a engordar após a operação.
De acordo com o Dr. Paulo Rosenbaum, endocrinologista do Einstein, em média entre 20% e 30% dos pacientes que se submeteram à cirurgia bariátrica voltam a engordar parcialmente.
"Nem todos ganham o mesmo peso de antes, mas podem voltar a ser obesos. Este é o um dos grandes problemas do pós-operatório da cirurgia", explica o médico.
Pós-operatório
O pós-operatório de uma cirurgia de redução de estômago é bastante delicado. O paciente terá que aprender a se relacionar com a comida de uma forma completamente nova.
Este tipo de cirurgia restringe a quantidade e a forma de alimentos que serão ingeridos – além de um prato bem menor do que estava acostumado, o paciente terá que aprender a comer mais devagar, mastigando muito bem antes de engolir. "Por isso é tão importante realizar uma boa avaliação nutricional e psicológica do paciente antes que ele se submeta à cirurgia", afirma o médico.
A reengorda
Indivíduos com perfil de compulsão alimentar – aqueles que "beliscam" muito –, são sérios candidatos a reengorda. Os que faziam uso de álcool em grandes quantidades antes da operação, também. Nestes casos a avaliação e o acompanhamento psicológico e nutricional, por pelo menos um ano após a cirurgia, são muito importantes para evitar o reganho de peso e problemas nutricionais e sociais, explica o Dr. Rosenbaum.
A reengorda, na maioria das vezes, acontece quando o paciente volta a se alimentar de maneira incorreta e não faz atividade física.
De acordo com o endocrinologista, quando perdemos peso, perdemos também uma determinada quantidade de massa muscular, que é bastante importante ao corpo - é ela que faz com que o metabolismo continue funcionando de forma correta.
A massa muscular diminuída e o metabolismo lento facilitam o reganho de peso de um organismo acostumado a "estocar" gordura.
Fenômeno de recompensa
"Outra forma de reengorda acontece porque o paciente, que antes colocava a felicidade na comida, precisa substituir o prazer. É por isso que ouvimos muitas vezes histórias de ex-obesos que trocam de compulsão – pelo álcool, pelas drogas, pelas compras, e até mesmo pelo sexo. É o que podemos chamar de fenômeno de recompensa", explica o Dr. Paulo Rosenbaum.
Contudo, o médico relata que a maioria dos pacientes operados tem tamanha melhora de qualidade de vida – problemas físicos e psicológicos – que consegue viver pelo resto da vida sem engordar. Os problemas mais graves acontecem com uma pequena parcela dos operados.
Reduzindo o problema
Para o paciente que está reengordando, existem alguns tratamentos que, quanto antes realizados, mais rapidamente terão efeitos.
O bom acompanhamento clínico, nutricional e terapêutico (psicólogo/psiquiatra) é fundamental para interromper o processo de reengorda. Em alguns casos, ainda será necessária a volta da administração de inibidores de apetite.
Uma nova cirurgia também pode ser realizada, porém o Dr. Rosenbaum explica que o procedimento deveria ser o último a ser considerado, a não ser que esteja havendo falha mecânica - como dilatação do estômago ou anastomose (ligação do estômago com o intestino).
"Na maioria das vezes, os pacientes vão perder peso de qualquer maneira, durante o primeiro ano, sem muito esforço", explica o médico.
"Mas é preciso ter cuidado. Com o passar do tempo, quem não modifica seus hábitos físicos e nutricionais volta a engordar, pois o organismo atinge um estágio de equilíbrio, fazendo com que o metabolismo fique mais lento," afirma Dr. Paulo Rosenbaum.
Publicado em julho/2011