Se em décadas passadas as pessoas sofriam com as doenças infecto-contagiosas, atualmente, no século 21, nos deparamos com doenças como obesidade, diabetes e hipertensão, que hoje já estão em níveis preocupantes.
O aumento de peso da população mundial é evidente e alarmante, e passa a preocupar as autoridades de saúde do mundo inteiro. Nos Estados Unidos, estima-se que um terço da população está acima do peso ideal e 10% da população tem diabetes mellitus, uma doença metabólica caracterizada por um aumento anormal do açúcar ou glicose no sangue.
De acordo com o Dr. Ricardo Botticini Peres, endocrinologista do Einstein, a síndrome metabólica não é uma doença, mas sim um conjunto de situações clínicas que aumenta a chance da pessoa ficar diabética e apresentar doença arterial, como infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral – AVC.
“A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que no ano de 2025 a população de diabéticos no mundo chegue a 300 milhões de habitantes. Outro calculo alarmante é que o gasto decorrente com as complicações e do próprio diabetes nos EUA nos próximos dez anos cheguem a US$ 1 trilhão, ou seja, outra guerra do Iraque”, afirma o médico.
Diagnóstico
Aos sinais de algumas das características abaixo, o indivíduo deve prestar atenção e procurar um médico.
- Circunferência abdominal maior do que 102cm (homens) e 88cm (mulheres)
- Pacientes que já tomam remédio para hipertensão arterial (ou aquelas que apresentem pressão arterial sistólica (máxima) maior do que 130 mmHg e/ou pressão arterial diastólica (mínima) maior do que 85 mmHg)
- Pessoas com níveis de triglicérides, colesterol e glicemia bastante alterados.
O National Health and Nutrition Examination Survey – NHANES, programa de estudos destinados a avaliar a saúde e o estado nutricional de adultos e crianças nos Estados Unidos, realizado entre 1999-2002, revelou que 972 mil americanos morreram de doenças relacionadas ao aparelho circulatório e que, em 2002, 224 mil mortes foram atribuídas ao diabetes mellitus. Neste período, houve aumento das prevalências de obesidade (IMC maior que 30 kg/m).
Ainda segundo o estudo do NHANES, o predomínio da Síndrome Metabólica na população americana foi estimado entre 22% e 24%, sendo variável em função da etnia. O uso de diferentes critérios diagnósticos também contribui para a variabilidade na prevalência da Síndrome Metabólica.
A prevalência da doença em adultos está aumentando nos Estados Unidos (de 23,1% em 1988-1994 para 26,7% em 1999-2000) o que implica em aumento da mortalidade cardiovascular.
De acordo com o endocrinologista, no Brasil, não existe um estudo de prevalência representativo do conjunto da população das diferentes regiões geográficas. Além disso, não foram definidos os valores de corte de circunferência de cintura adequados para o diagnóstico desta síndrome na população brasileira, que é caracterizada por grande miscigenação racial.
“Há consenso de que os aspectos de maior relevância no diagnóstico da Síndrome Metabólica são os riscos de evolução ao diabetes mellitus tipo 2 (para aqueles que ainda não o são) e de eventos cardiovasculares. Estudos prospectivos comprovam que adultos portadores de Síndrome Metabólica morrem de 2 a 3 vezes mais do que aqueles sem este diagnóstico, explica o dr. Ricardo Peres.
E como abordar e tratar estes pacientes?
Para o endocrinologista, o quadro é muito preocupante. O primeiro passo é orientar a classe médica para o diagnóstico rápido e preciso da Síndrome metabólica, bem como a população para que, a partir do momento em que apresentem os sintomas e sinais acima listados, procurem um especialista.
O segundo passo, de acordo com o médico, é reforçar que a melhor forma de tratamento se faz com a mudança de estilo de vida do paciente – controle nutricional, perda de peso, prática de atividade física, ações que também podem ser consideradas preventivas para àqueles que não desejam ter um diagnóstico positivo de Síndrome Metabólica e de demais doenças.
Caso não se consiga o controle efetivo com a mudança de hábitos do paciente, a intervenção com medicamentos, sempre acompanhada por um especialista, é outro tipo de tratamento que vem dando resultados positivos.
De acordo com o endocrinologista, não se pode falar em cura, somente em controle contínuo. “Com a mudança do estilo de vida, conseguimos controlar a síndrome e minimizar o impacto cardiovascular. Diminuindo também as chances de o paciente apresentar sequelas, como incapacidades visual e motora”, finaliza o Dr. Ricardo Botticini Peres.
Publicada em fevereiro/2012