Nutrição

Hemocromatose: excesso de ferro é prejudicial

O organismo é como uma máquina. Cada órgão, articulação e músculo precisa estar em equilíbrio para que o conjunto funcione perfeitamente. O fluido que move toda essa arquitetura complexa é o sangue. Essencial para a vida, é composto de glóbulos brancos e vermelhos. Os brancos são os leucócitos, o exército de defesa de nosso corpo. Os vermelhos - que contêm a hemoglobina - são os responsáveis pelo transporte de oxigênio para as células, além da retirada do dióxido de carbono. Esse é o processo de produção e liberação de energia do organismo, que precisa do mineral ferro para funcionar bem.

Hemocromatose: excesso de ferro é prejudicial Pensando assim, dá até para acreditar que, quanto mais ferro for consumido, mais energia você terá. Mas, neste caso, a lógica é bem diferente. Um adulto saudável tem de 40 a 160 microgramas de ferro no sangue, que é o nível recomendado. Índices acima disso são um sinal de problema. Entretanto, há quem acumule o mineral em quantidade superior à necessária. É o caso dos portadores de hemocromatose - alteração genética que faz com que o organismo absorva o ferro em quantidades maiores ou não faça sua eliminação adequada.

O excesso de ferro no sangue pode provocar ferrugem nos órgãos, causando consequências distintas para cada parte do corpo. No fígado, altos níveis do mineral podem causar cirrose; no pâncreas, diabetes; no coração, insuficiência cardíaca; nas glândulas, mau funcionamento e problemas na produção hormonal.

"Felizmente, apenas alguns pacientes desenvolvem problemas mais sérios e agudos", ressalta o dr. Nelson Hamerschlak, coordenador do Programa de Hematologia e Transplantes de Medula óssea do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

Alterações nos genes

Nos Estados Unidos, a hemocromatose hereditária é a doença genética mais comum. Lá, um em cada oito pessoas tem o gene de mutação. A proporção de americanos com os dois genes - o que aumenta o risco de desenvolver a doença - é de um para cada 200 pessoas, de acordo com o U.S. Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Embora seja mais provável que a doença se desenvolva em quem possui os dois genes com mutação, as pessoas que são heterozigotas - que possuem apenas um gene - também devem ser avaliadas periodicamente. Em especial se tiverem sintomas ou outras condições que possam influenciar no funcionamento de um órgão. Por exemplo, ter hemocromatose com ferro no fígado e também gordura no fígado, a esteatose.

Por aqui, não há estimativas precisas. Um estudo iniciado em 2001 pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo mostrou que, entre os doadores de sangue, a presença de mutações relacionadas à hemocromatose varia de 7% a 20%. O número de portadores dos dois genes - que levam ao desenvolvimento da doença - não é confirmado no Brasil, mas internacionalmente a porcentagem é de 1% da população.

Além da hemocromatose hereditária, que é o tipo mais comum, há outras variações. A mais grave delas, a hemocromatose secundária, é encontrada em pacientes que desenvolvem anemias hemolíticas ou naqueles que realizam muitas transfusões de sangue.

Diagnóstico: simples e rápido

Com base no resultado do exame de sangue, todo paciente com ferritina ou saturação de ferro alta, mesmo com resultados negativos, deve ser investigado

Os sintomas da hemocromatose são muito diversos e podem estar presentes em outros problemas clínicos também. Dessa forma, o diagnóstico é feito por exame de sangue, que mede os níveis de ferritina e saturação de ferro. "Não é nada complicado e pode ser incluído em qualquer checkup", avisa o médico.

Além do exame de sangue, há alternativas de diagnóstico, uma das quais é o teste genético. Embora analise os genes do paciente, o teste só detecta as mutações genéticas mais frequentes; portanto, se o resultado for negativo, não significa que o paciente não tenha hemocromatose hereditária.

"Com base no resultado do exame de sangue, todo paciente com ferritina ou saturação de ferro alta, mesmo com resultados negativos, deve ser investigado", explica o dr. Hamerschlak. Outra forma é retirar sangue semanalmente por um período de quatro a seis semanas. Com as amostras, é realizada uma avaliação dos níveis de glóbulos vermelhos. "Os portadores de hemocromatose não ficam com anemia. É uma prova terapêutica", afirma o médico.

Ferro em equilíbrio

O Einstein dispõe de um exame específico para o controle de ferro nos órgãos. Trata-se de uma ressonância magnética desenvolvida para esse fim, com metodologia que ultrapassou a fase de pesquisa e dados validados que garantem resultados mais confiáveis. O objetivo é avaliar os principais órgãos que estocam ferro, como fígado e pâncreas, e observar o grau de comprometimento causado pelo mineral.

É importante saber que a carne é a principal fonte de ferro. Não oriento ninguém a se tornar vegetariano, mas é bom não exagerar

O tratamento mais comum é a sangria terapêutica, que é como a doação de sangue, com a diferença de que o sangue é descartado após a coleta. São realizadas retiradas periódicas, em duas etapas: a primeira, com períodos pequenos, de uma a duas vezes por semana. Na segunda, aumenta-se o período entre as coletas de acordo com a melhora do paciente.

O tratamento é eficaz desde que não haja danos definitivos, como uma cirrose. É possível conviver tranquilamente com o problema, bastando fazer o controle com exames de sangue periódicos e a ressonância magnética. Além disso, o consumo de ferro também merece atenção. "É importante saber que a carne é a principal fonte de ferro. Não oriento ninguém a se tornar vegetariano, mas é bom não exagerar", explica o dr. Hamerschlak. Outro conselho do médico é que se consumam chás e leite, porque diminuem a absorção do ferro pelo organismo.

Para quem apresenta altos índices do mineral no sangue, vale tirar do cardápio peixes e ostras crus. Isso porque há um microrganismo, o vibrio, que pode ser transmitido por esses alimentos e que causa intoxicação grave em quem tem hemocromatose.

Publicada em outubro/2008

Atualizada em novembro/2009


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24/04/2012 12:09:06

Antonio Osmar Baltaz

Estou com 772 de ferritina no sangue, não sinto absolutamente nada, minha saúde é perfeita. Vou fazer a ressonância para ver se estou com algum problema, apenas por precaução. Meu médico é professor da UNIFESP.

20/04/2012 22:28:10

flavio

fiz exames e minha ferritina deu 547,2.o que significa isso???

Resposta:

Olá Flavio, É muito importante a avaliação e o acompanhamento médico, procure sempre seu médico. Se precisar você poderá encontrar um especialista utilizando nossa ferramenta "Indicador Médico" que está localizada em nossa home Page.

20/04/2012 16:44:01

Thaisa

Meu filho tem 6 anos e o exame Ferro serico dele deu 113 mcg/dL e a Ferritina 15,3 ng/dL.Pelo valor normal, os 2 estáo alterados.Devo me preocupar.

Resposta:

Olá Thaisa, Agradecemos o seu contato. Para emitir qualquer parecer, é importante que você passe por uma avaliação médica.

19/04/2012 19:10:14

Erika

Boa noite! gostaria de algumas dicas de alimentaçao para diminuir o ferro. Meu filho tem 8 a e esta em tratamento de Aplasia de Medula, hj ele transfunde uma vez por mês. A quatro semanas atras ele estava com 1100 de ferro começou a tomar exjade mas os efeitos da medicação fazem ele passar muito mal a 15 dias atras repetiu o exame e estava em 710 no mesmo dia ele transfundiu e suspenderam a medicacão, hj ele fez novos exames e a ferritina esta em 750, os medicos desejam volta o exjade. me ajude

Resposta:

Olá Erika, É muito importante a avaliação e o acompanhamento médico, procure sempre seu médico. Se precisar você poderá encontrar um especialista utilizando nossa ferramenta "Indicador Médico" que está localizada em nossa home Page.

19/04/2012 19:09:57

Erika

Boa noite! gostaria de algumas dicas de alimentaçao para diminuir o ferro. Meu filho tem 8 a e esta em tratamento de Aplasia de Medula, hj ele transfunde uma vez por mês. A quatro semanas atras ele estava com 1100 de ferro começou a tomar exjade mas os efeitos da medicação fazem ele passar muito mal a 15 dias atras repetiu o exame e estava em 710 no mesmo dia ele transfundiu e suspenderam a medicacão, hj ele fez novos exames e a ferritina esta em 750, os medicos desejam volta o exjade. me ajude

Resposta:

Olá Erika, Infelizmente não podemos dar uma resposta por este canal. Aconselhamos você a procurar o médico que está acompanhando o caso, para esclarecer todas as suas dúvidas. Ou buscar outra opinião para que seja feita uma avaliação da melhor forma de tratamento. Caso queira consultar um dos nossos especialistas, fique à vontade para pedir uma indicação médica pela nossa Central de Atendimento, no telefone 11 2151-1233, opção 3. Você também pode dispor deste serviço pelo nosso site, acessando a página do Indicador Médico http://www.einstein.br/hospital/Paginas/indicador-medico.aspx.

19/04/2012 17:25:57

Carlos Roriz

Este site não deveria abrir o tira dúvidas, mas só publicar artigos sobre o tema problemas relacionados ao sangue

19/04/2012 15:11:33

ueria pinto

olá ! meu filho tem 4 anos ele tem anemia megaloblástica e fez exame de ferritina e o nivel dele deu de 380,9 ng/ml e faz acompahamento com o medico hematologista mas ainda não mostrei os exames dele apesar da ferritina esta alta o indice de saturação da transferrina está em 22,0 % a hemoglobina está com 12 g% e as hemacias estão com 4,8 milhoes oque vocês acha desse exame por vaor me mande uma resposta

Resposta:

Olá Ueria, Para uma avaliação mais detalhada e precisa, você deve procurar o médico que acompanha seu caso. Só ele pode esclarecer todas as suas dúvidas. Caso queira, disponibilizamos duas formas de indicação médica. Por meio da nossa Central Médica, pelo telefone 11 2151-1233, ou pelo nosso site http://www.einstein.br/hospital/Paginas/indicador-medico.aspx.

19/04/2012 11:36:35

Anna

Bom dia Dr., realizei dois exames de segue e ambos deram o resultado do laboratório que fiz, que tinha como base valores de referencia para mulher adulta: de 12,0 a 150,0 ng/mL. O meu resultado deu 185 ng/mL. Ou seja, 35 a mais do máximo. Isso seria um problema sério?

Resposta:

Olá Anna, Para uma avaliação mais detalhada e precisa, você deve procurar o médico que acompanha seu caso. Só ele pode esclarecer todas as suas dúvidas. Caso queira, disponibilizamos duas formas de indicação médica. Por meio da nossa Central Médica, pelo telefone 11 2151-1233, ou pelo nosso site http://www.einstein.br/hospital/Paginas/indicador-medico.aspx.

     
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