Armazenar e metabolizar as vitaminas, sintetizar as proteínas, desintoxicar o organismo e produzir a bile. Essas são algumas funções do maior órgão do corpo humano, o fígado.
Mas fique atento: segundo a organização não-governamental World Hepatites Alliance, 500 milhões de pessoas sofrem de inflamações que comprometem o funcionamento desse órgão. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, o tipo de hepatite mais frequente é a C, que atinge 2 milhões de pessoas, ou seja, 1,5% da população.
Entre os principais tipos de hepatite estão a A, a B, a C e a auto-imune. Cada tipo tem causas distintas, apesar de os sintomas serem similares. "Dor de cabeça e no corpo, cansaço, fraqueza, perda de apetite, febre, urina escura, fezes claras e cor amarelada na pele e na mucosa são os principais sinais da hepatipe", explica a dra. Raquel O. Conceição, médica responsável pelo Checkup da Medicina Diagnóstica Einstein.
Bê-á-bá da doença
- Hepatite A: nesse caso, a contaminação ocorre pela via fecal-oral, ou seja, alimentos mal lavados e condições sanitárias insatisfatórias são os principais canais para o contágio. Muitas vezes assintomática, pode passar despercebida. Mesmo quando alguns sintomas são manifestados, esses costumam ser leves. A hepatite A nunca evolui para doença crônica, pode permanecer no organismo por até dois meses e raramente se transforma em problemas agudos ou graves que necessitam de transplante de fígado.
Não existe tratamento específico; em geral, recomenda-se repouso e, quando necessário, o uso de medicamentos para controlar desconfortos como enjoos, dor de cabeça e febre.
- Hepatite B: a transmissão ocorre por meio de transfusão de sangue, compartilhamento de seringas e agulhas entre usuários de drogas e relações sexuais sem preservativo. Em casos de gravidez, a gestante pode passar a doença para o bebê na hora do parto e, por causa disso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico são fundamentais. Os sintomas podem persistir por até seis meses, tempo que o organismo leva para criar anticorpos contra o vírus ou para que o problema se torne crônico. A ingestão de bebidas alcoólicas durante esse quadro clínico é proibida. Hoje em dia existem vários medicamentos específicos para a hepatite B.
- Hepatite C: tanto a transfusão de sangue como a injeção de drogas ilícitas faz parte das principais vias de contaminação desse tipo de hepatite, sendo a transmissão sexual incomum. Existem medicamentos antivirais que podem levar à eliminação do vírus em até 65% dos casos. A hepatite C pode levar à cirrose, por exemplo, e causar sérios riscos ao funcionamento do fígado. Em casos graves, o transplante de órgão pode ser a única solução.
- Hepatite auto-imune: não se sabe a causa exata da hepatite auto-imune; sabe-se, porém, que o corpo produz anticorpos contra o próprio fígado. A pessoa já nasce com essa predisposição e desenvolve os sintomas ao longo da vida. O tratamento é feito com uso de corticoides, associados ou não a outros medicamentos, para inibir que o sistema de defesa entenda o fígado como inimigo e produza anticorpos.
É possível prevenir
Dor de cabeça e no corpo, cansaço, fraqueza, perda de apetite, febre, urina escura, fezes claras e cor amarelada na pele e na mucosa são os principais sinais da hepatite
O ideal é realizar a prevenção e evitar que a hepatite se manifeste. O tipo A pode ser evitado com saneamento básico e higienização correta dos alimentos. Para evitar a contaminação da hepatite B e da C, devem-se usar agulhas e seringas descartáveis, buscar transfusão de sangue em bancos com controle de qualidade e utilizar preservativos nas relações sexuais.
Uma boa notícia é que os tipos A e B têm vacina, que deve ser administrada inclusive no recém-nascido. "A dose perde o efeito com o tempo e, dessa forma, vale incluir nos exames periódicos testes para verificar a imunidade ao vírus da doença. Caso seja necessário, repete-se a vacina, principalmente em profissionais da saúde que estão mais suscetíveis à contaminação", indica o dr. Ben-Hur Ferraz Neto, gerente médico do Programa de Transplante de Órgãos do HIAE.
Na maioria das vezes, a hepatite, depois de curada, não apresenta sequelas, mas há casos em que o problema se torna crônico e há a necessidade de transplante de fígado. Na hepatite auto-imune não há forma de prevenção; porém, quando a doença é diagnosticada, medicamentos que diminuem a imunidade são indicados para evitar sua evolução. O transplante de fígado é uma alternativa para casos avançados da doença.
Transplante no HIAE
Em alguns casos, quando o fígado começa a perder suas funções devido à agressão causada pelo vírus, é possível que haja a necessidade de recorrer ao transplante e, mesmo depois de realizá-lo, o paciente deve ter um acompanhamento médico para o resto da vida. "Precisamos acompanhar, em um primeiro momento, como o paciente reage a um órgão que, até então, não era dele. Temos de observá-lo, pois, quando o transplante é realizado em consequência da hepatite B ou da C, o vírus continua circulando no sangue e pode voltar a atacar o fígado. Nesses casos, o controle é o melhor caminho para manter a saúde e a qualidade de vida", diz o dr. Márcio Dias de Almeida, hepatologista da equipe de transplante de fígado do HIAE.
Até hoje já foram realizados mais 1.200 transplantes de órgãos no HIAE em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS).
Publicada em outubro/2008
Atualizada em novembro/2009